MÁ QUALIDADE DA CASCA

Por: Helenice Mazzuco, Paulo Sérgio Rosa, Fátima Regina Jaenisch

O artigo aponta os principais fatores que causam problemas na formação da casca do ovo, indicando medidas para evitá-los e proporcionando, assim, menores perdas e um produto de melhor qualidade.

A avicultura de postura comercial registra perdas econômicas significativas devido aos problemas de quebra ou mesmo ausência de casca dos ovos. Do ponto de vista econômico, é de suma importância o controle da qualidade desta, pois cerca de 12% do total dos ovos produzidos apresentam problemas de casca entre a granja e o mercado consumidor, portanto, não sendo comercializados.

Os fatores causais inter-relacionados e as perdas de qualidade da casca não são facilmente estimados, devido à dificuldade na obtenção dos índices que avaliam a extensão dessas perdas na granja. É oportuno ressaltar a importância da coleta de dados diários de produção, o acompanhamento dos vários índices de desempenho e da qualidade da casca, como instrumentos de monitoramento, que auxiliam na detecção de problemas nutricionais, de manejo e sanitários dos lotes de poedeiras. A identificação dos fatores que influenciam na qualidade da casca dos ovos em granjas de postura comercial e a busca de alternativas para corrigi-los constituem-se em tarefas diárias do produtor.

O genótipo, idade das aves, alimentação, manejo, fatores sanitários e ambientais influenciam a qualidade da casca e são discutidos a seguir, sendo que, frente ao aparecimento de problemas de casca, todas essas variáveis deverão ser avaliadas em conjunto.

Este documento tem por finalidade fornecer indicações das possíveis causas da má qualidade da casca dos ovos e a possibilidade de reduzi-las.

Má qualidade da casca

Genótipo - Os híbridos existentes no mercado apresentam diferenças, embora pequenas, relacionadas à qualidade da casca. Portanto, a primeira ação é identificar aquelas linhagens com menores índices de perdas, é claro, sem se esquecer das outras características de interesse econômico. A resistência de quebra da casca possui uma correlação genética negativa com outras características de rendimento como peso e massa de ovos e desse modo, a seleção genética das linhagens de postura se desenvolveu mais por outras características de interesse zootécnico, como alta produção e baixa mortalidade.

Idade - A qualidade da casca decresce com o aumento na idade da ave (aves mais velhas apresentam ovos com pior qualidade da casca) e isto ocorre devido ao aumento do tamanho do ovo. A quantidade de cálcio (Ca) depositado na casca permanece constante durante todo o ciclo de postura, porém, com o aumento no tamanho do ovo, menor quantidade de Ca, por unidade de superfície, é depositado durante a formação da casca no útero e, a conseqüente piora na sua qualidade é evidenciada. Para reduzira problema, especialmente de aves em final de produção, indica-se uma suplementação de cálcio, na forma de farinha de ostra, elevando-se o nível de cálcio para 4,5% na ração.

Alimentação - Para que as aves apresentem o desempenho produtivo esperado, o que inclui a produção de ovos com espessura de casca adequada, a alimentação é um dos itens de maior impacto, devendo se considerar nesse sentido, a qualidade da ração e as exigências nutricionais. Estas últimas são influenciadas por vários fatores, entre eles o nível da produção, idade das aves, temperatura ambiente e o nível de estresse. Isso implica no monitoramento da qualidade das matérias-primas (análise da composição nutritiva dos ingredientes), o período de estocagem, o balanceamento dos nutrientes (formulação adequada) e no tempo certa de mistura da ração (15 minutos para misturadores verticais e 10 para misturadores horizontais). Dentre os nutrientes que mais diretamente influem na qualidade da casca, o cálcio (Ca), o fósforo (P) e a Vitamina D3 são os mais importantes e é sobre eles que o produtor deve direcionar sua atenção frente ao aparecimento de problemas, como ovos de casca fina ou mesmo sem casca.

Nutrientes

Minerais - Para a garantia da máxima qualidade da casca, níveis de 3,25% de cálcio (Ca) e 0,31% de fósforo (P), (NRCAves 1994), são recomendados para as aves em produção e com consumo mínimo de 100 g de ração por dia. O ajuste na relação entre esses dais nutrientes deverá ser efetuado conforme a idade e o consumo. Após o pico de produção, as poedeiras necessitam de maior quantidade de cálcio na dieta como garantia do intenso trabalho fisiológico que estão expostas nessa idade, em função do aumento no tamanho dos ovos. Se houver deficiência na dieta, o osso medular pode fornecer Ca para o sangue que será utilizado para a formação da casca. A utilização de uma fonte de cálcio (carbonato de cálcio) com maior granulometria (maior tamanho da partícula) tem mostrado melhorar a estabilidade da casca. A definição do tamanho ideal da partícula dos suplementos de cálcio na ração, para a melhor deposição na casca são as partículas maiores, entre 2360-5600 mm (mícrons), especificamente para o calcário, conforme Rolland & Harms (1973). A lenta proporção que as grandes partículas seriam absorvidas é responsável pelo efeito benéfico sobre a espessura da casca. Durante a noite, as aves interrompem o consumo da ração e é justamente nesse horário que ocorrem os primeiros estágios da calcificação, no entanto, a natureza providenciou um sistema digestivo especial, com a presença do papo e da moela, além da reabsorção óssea, para a 9arantia do nível adequado dos minerais e outros nutrientes. O papo armazena parte da ração consumida durante o dia e, aos poucos libera as partículas ao trato digestivo, passando pela moela, para posterior absorção. Nesse sentido, as partículas maiores das fontes de Ca proporcionam efeitos.benéficos sobre a qualidade da casca, pois permanecem por um período de tempo maior no trato digestivo, sendo liberadas à noite, fornecendo o cálcio necessário à formação da casca.

Devido à influência sobre a qualidade da casca, é importante se dispor com precisão do coeficiente de disponibilidade do fósforo contido nos diversos ingredientes presentes na ração. Um erro comum é considerar que todo o fósforo contido nas farinhas de origem animal é disponível. Isto pode não ocorrer no caso de farinhas processadas inadequadamente, seja em função do tipo (maior ou menor porcentagem de ossos) ou da moagem utilizada.

É sabido que apenas 30% do fósforo contido nas fontes vegetais estão disponíveis às aves e assim, na formulação, esse fósforo é chamado de "fósforo disponível" (Pd). No entanto, os níveis utilizados devem ser sempre maiores quando se trabalhar com os valores de fósforo total (Pt). Uma recomendação geral para as exigências em fósforo total (Pt) e fósforo disponível (Pd), é fornecida na Tabela 1.

Vitamina D3 - A Vitamina D3 é também um nutriente essencial na formação da casca. Sua ação na regulação do metabolismo cálcio-fósforo é indispensável para a adequada deposição do cálcio na casca. A recomendação para essa vitamina na ração situa-se em torno de 2500 e 2750 UI/kg, nas fases de crescimento e produção, respectivamente.

Devido à influência sobre a qualidade da casca, é importante se dispor com precisão do coeficiente de disponibilidade do fósforo contido nos diversos ingredientes presentes na ração. Um erro comum é considerar que todo o fósforo contido nas farinhas de origem animal é disponível. Isto pode não ocorrer no caso de farinhas processadas inadequadamente, seja em função do tipo (maior ou menor porcentagem de ossos) ou da moagem utilizada.

É sabido que apenas 30% do fósforo contido nas fontes vegetais estão disponíveis às aves e assim, na formulação, esse fósforo é chamado de "fósforo disponível" (Pd). No entanto, os níveis utilizados devem ser sempre maiores quando se trabalhar com os valores de fósforo total (Pt). Uma recomendação geral para as exigências em fósforo total (Pt) e fósforo disponível (Pd), é fornecida na Tabela 1.

Vitamina D3 - A Vitamina D3 é também um nutriente essencial na formação da casca. Sua ação na regulação do metabolismo cálcio-fósforo é indispensável para a adequada deposição do cálcio na casca. A recomendação para essa vitamina na ração situa-se em torno de 2500 e 2750 UI/kg, nas fases de crescimento e produção, respectivamente.

Água - A água é um nutriente muitas vezes ignorado, porém sua influência no desempenho é expressiva. A preocupação com sua qualidade não deve se restringir aos poluentes orgânicos mas, também com a proporção dos eletrólitos presentes na mesma, como o sódio (Na), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), cloro (Cl) e sulfatos.

Muitas vezes a ocorrência de ovos defeituosos apresenta-se em função da presença de altos níveis de Cl ou Na na água. Deve-se monitorar a água recebida nos aviários através de análises periódicas (mínimo uma vez ao ano), enviando-se amostras para um laboratório idôneo. Além disso, o reservatório e a rede hidráulica devem ser instalados em local que não permita o aquecimento sendo que, a temperatura ideal da água para a adequada ingestão pela ave deve estar em torno de 15 a 200C.

Sanidade - O sistema reprodutor das aves está sujeito à infecções que direta ou indiretamente podem comprometer a produção e qualidade interna do ovo e da casca. Dentre as enfermidades que reduzem a produção de ovos destacam-se: Salmonelose, Micoplasmose, Coriza Infecciosa, Encefaiomielite, Newcastle (NC), Síndrome da Queda de Postura (EDS) e Bronquite Infecciosa (BI), entre outras. Dessas, somente as duas últimas viroses (EDS e BI), comprovadamente, interferem na qualidade da casca. No entanto, infecções por bactérias, sejam secundárias ou não, também podem comprometer a qualidade da casca.

Sanidade - O sistema reprodutor das aves está sujeito à infecções que direta ou indiretamente podem comprometer a produção e qualidade interna do ovo e da casca.

Dentre as enfermidades que reduzem a procluçao ae ovos destacam-se: Salmonelose, Micoplasmose, Coriza Infecciosa, Encefaiomielite, Newcastle (NC), Síndrome da Queda de Postura (EDS) e Bronquite Infecciosa (BI), entre outras. Dessas, somente as duas últimas viroses (EDS e BI), comprovadamente, interferem na qualidade da casca. No entanto, infecções por bactérias, sejam secundárias ou não, também podem comprometer a qualidade da casca.

Enfermidades infecciosas: Síndrome da Queda de Postura (EDS) - Essa enfermidade acomete aves no início da produção, persistindo por aproximadamente três meses. Pode ser transmitida pela via vertical (através do ovo contaminado) ou horizontal (de uma ave contaminada a outra), fazendo-se necessário nesse caso, a "inoculação" do vírus, o que pode ser feito por insetos hematófagos, como pernilongos e ácaros. Clinicamente a ave apresenta discreto estertor úmido (rouquidão) e diarréia. Os ovos apresentam severas alterações como perda da coloração normal da casca, ocorrência de ovos com casca fina ou sem casca. A clara dos ovos pode apresentar-se bastante aquosa, semelhante a de ovos velhos. O controle da Síndrome da Queda da Postura é feito pela vacinação das aves às 15 semanas de idade.
Bronquite Infecciosa (81) - / Bronquite infecciosa das galinhas causa deformações tais como, produção de ovos com casca mole, casca rugosa e sem casca. Os sintomas clínicos são geralmente respiratórios, como rouquidão, coriza e espirros. Há redução da postura e a qualidade interna do ovo fica comprometida apresentando ovos com liquefação do albúmem (clara). A vacinação tem se mostrado efetiva para o controle da BI, sendo necessário vacinar durante a fase de cria e recria com amostra viva H120 ou H52, via ocular ou na água de beber. Antes do início da produção, a revacinação deve ser feita com vacina inativada, via intramuscular.

Bacteremias - Infecções bacterianas que comprometam o sistema reprodutor, podem produzir deformações do oviduto e por conseqüência alterarão a apresentação da casca do ovo.

Escheric/i,a cQ/ie Staphy/ococcus sp são bactérias oportunistas freqüentemente isoladas no aparelho reprodutor das aves. O combate a esses microorganismos é feito através da administração de antibióticos. O tratamento curativo é dispendioso fazendo-se necessário uma análise custo / benefício.

A forma mais eficiente para o controle de doenças é sem dúvida um efetivo esquema de biosegurança que visa, não somente a proteção e o controle sanitário dos plantéis como a obtenção do produto final de melhor qualidade. No controle dessas infecções é importante salientar os cuidados com o rigor de limpeza e desinfecção dos aviários em cada troca de lote.

Manejo - Dentre os fatores de manejo que mais influenciam na produtividade e na qualidade da casca dos ovos de um lote de poedeiras, destacam-se os programas de luz (fotoperíodo e intensidade), a temperatura no ambiente de criação e a densidade (nº de aves por área, em gaiola ou piso).

Durante a fase de cria e recria, o objetivo é produzir uma franga com condições fisiológicas e corporais para iniciar a fase de postura na idade e pés adequados. É importante o acompanhamento semanal da evolução do ganho de peso do lote, bem como a correta avaliação de índices de uniformidade.

Controle do peso

Um controle eficiente do peso das aves possibilita a correção de problemas de uniformidade no decorrer da criação. As pesagens devem ser efetuadas semanalmente a partir de quatro semanas de idade, até as 20 e posterior mente, a cada duas até aproximadamente 40 semanas. Para as aves criada~ em piso, pesar uma amostra de 1% a 3% do plantel, individual e aleatoriamente, sendo que a pesagem deverá se feita no mínimo em três pontos diferentes do galpão. Para as aves criadas em gaiolas, pesar sempre as mesmas aves, numa amostragem de 1% a 3% do lote. Essa amostragem é função do tamanho do lote, quanto maior, menor a proporção.

A obtenção do peso médio aproximado do lote possibilita sua comparação com os valores de peso padrão para a idade, fornecidos pelas tabelas contidas nos manuais de cada linhagem. A pesagem deve ser efetuada sempre no mesmo dia da semana e horário e utilizando sempre o mesmo tipo de balança. A uniformidade do lote está estreitamente ligada ao manejo e à alimentação praticados e sua variação terá influência no seu desempenho produtivo.

Cálculo da uniformidade: Obtém-se a uniformidade de um lote através da pesagem individual de uma amostra de aves e pelo cálculo do peso médio dessa amostra, somando-se e subtraindo-se 10% desse valor. A partir desses novos valores, os pesos são classificados, incluindo-se o valor em uma das categorias do intervalo. Este número é então dividido pelo total da amostra (nº de aves que foram pesadas) e multiplicado por 100, obtendo-se o índice de uniformidade. Para a interpretação dos resultados de uniformidade deve-se considerar como "boa", acima de 80%, abaixo desse valor pode haver comprometimento no desempenho do lote.

Número de aves por gaiola: Para o desempenho adequado do lote devem-se utilizar densidades compatíveis com o tamanho das frangas nas fases de cria e recria. Na fase de postura recomenda-se o alojamento de no máximo, 10 poedeiras por metro linear de gaiola.

Programas de Luz: A luz tem papel importante sobre o desempenho de um lote de poedeiras, tanto no que se refere ao fotoperíodo (tempo de claridade em horas), quanto de intensidade (medida em lux, lumens ou watts) e pode produzir efeitos tanto na persistência do pico de postura como no tamanho dos ovos produzidos. Sabe-se que as aves são insensíveis às variações de fotoperíodo até a 10ª semana de idade, no entanto, a partir da 11a semana, essa sensibilidade se desenvolve em razão do fotoperíodo crescente. Uma estimulação precoce pode trazer conseqüências drásticas.

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